quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Acervo de Prestes traz análises sobre o Brasil durante a ditadura militar

Diretor do Arquivo Nacional, Jaime Silva (à esq.), recebe da viúva de Prestes e de netos dele arquivos do líder comunista
Diretor do Arquivo Nacional, Jaime Silva (à esq.), recebe da viúva de Prestes e de netos dele arquivos do líder comunista

Pedro Rios, na Folha de S. Paulo

Doado ontem ao Arquivo Nacional, no Rio, o acervo pessoal de Luiz Carlos Prestes (1898-1990) contém mais do que informações sobre a ação política do líder comunista e denúncias de torturas.

Traz relatos de notícias do Brasil na ditadura militar e a sua análise dos fatos, além de vasta correspondência pessoal com mulher e filhos.

Numa carta de 1981, endereçada ao filho adotivo Pedro, que vivia em Cuba e era seu "porta-voz" junto a Fidel Castro, Prestes opina sobre a saída do chefe da Casa Civil Golbery do Couto e Silva (1911-1987), então homem forte do regime militar.

"Depois da bomba do Rio Centro [atentado frustrado atribuído à ala mais conservadora da ditadura], o acontecimento mais importante foi a queda do Golbery, chefe da "Casa Civil" da ditadura e que, na verdade, exercia mesmo a função de presidente da República."

Segundo Luiz Carlos Prestes Filho, as cartas a Pedro, morto em 2011, são especialmente importantes, pois revelam muito dos ideais e opiniões do líder. Prestes adotou Pedro e Paulo, filhos do primeiro casamento de sua mulher Maria Prestes.

Entre as correspondências, diz, estão ainda cartas a filhos e netos a partir do exílio, com cobranças sobre a vida escolar, o estudo da língua portuguesa (já que viveram muito tempo no exterior) e orientações sobre a carreira a ser escolhida.

Nas 27 pastas de documentos doadas, há uma carta a Fidel de 1979, sinalizando necessidade de repensar as ações no Brasil após a anistia de 1979. Outro documento, de 1975, dirigido a correspondentes internacionais, denuncia a tortura de 35 presos e a morte de cinco deles.

A decisão de doar o acervo partiu de Maria Prestes. Sobre a contrariedade da filha mais velha de Prestes, Anita Leocádia Prestes, filha de sua união com Olga Benário, a viúva diz que ela "não é dona da memória" do líder.
Em e-mail ao jornal "O Globo", Anita diz que a divulgação do acervo é "um desrespeito à vontade" de Prestes, que "jamais concordaria com tal divulgação". Procurada, Anita não foi localizada pela reportagem.

domingo, 18 de dezembro de 2011

A ficção de Amaury

por Merval Pereira, n'O Globo



O livro "Privataria tucana", da Geração Editorial, de autoria de Amaury Ribeiro Jr, é um sucesso de propaganda política do chamado marketing viral, utilizando-se dos novos meios de comunicação e dos blogueiros chapa-branca para criar um clima de mistério em torno de suas denúncias supostamente bombásticas, baseadas em "documentos, muitos documentos", como definiu um desses blogueiros em uma entrevista com o autor do livro.
Disseminou-se a idéia de que a chamada "imprensa tradicional" não deu destaque ao livro, ao contrário do mundo da internet, para proteger o ex-candidato tucano à presidência José Serra, que é o centro das denúncias.
Estariam os "jornalões" usando dois pesos e duas medidas em relação a Amaury Jr, pois enquanto acatam denúncias de bandidos contra o governo petista, alegam que ele está sendo processado e, portanto, não teria credibilidade?
É justamente o contrário. A chamada "grande imprensa", por ter mais responsabilidade que os blogueiros ditos independentes, mas que, na maioria, são sustentados pela verba oficial e fazem propaganda política, demorou mais a entrar no assunto, ou simplesmente não entrará, por que precisava analisar com tranqüilidade o livro para verificar se ele realmente acrescenta dados novos às denúncias sobre as privatizações, e se tem provas.

Diários Associados lançarão mais um impresso no RN

Para quem repercutiu as notas dando conta do fim do Diário de Natal, o Bestiário traz informações contrárias e que dão conta da expansão do grupo fundado por Assis Chateaubriand.

Antes das eleições de 2012, haverá mais uma publicação, o "Aqui RN", a exemplo do "Aqui PE", com formato berliner, como na imagem ao lado.

A publicação será vespertina e custará R$ 0,25. O lançamento, embora talvez não seja intenção, finalmente fará concorrência a'O Jornal de Hoje.

O conteúdo do novo impresso é voltado para polícia, esportes e cidades. Aqui entra mais uma parte boa: uma equipe inteira será contratada para dar conta da nova publicação.

Outra modificação informada recentemente á redação do Diário de Natal é que o matutino voltará ao seu formato original, o stand.

Para que tais investimentos se viabilizem, foi necessário considerar a mudança de sede do DN, que atualmente funciona na Zona Norte da capital.

Os gastos com a manutenção do prédio demandados atualmente são incompatíveis com as pretensões do grupo. Negociação com Sesi permitirá uma troca. O Diário, possivelmente a partir de abril, deverá desembarcar no prédio onde hoje funciona o CTI Aluízio Alves, ao lado da Faculdade de Odontologia, nos cruzamentos da Avenida Senador Salgado Filho e Antonio Basílio.

sábado, 17 de dezembro de 2011

Ombudman cobra da Folha investigação sobre denúncias de livro

Conforme previsto, a ombudsman da Folha de S. Paulo, Suzana Singer, dedicou sua coluna dominical ao tema "A Privataria Tucana" e como a mídia demorou demais em abordar o livro que aborda escândalo de desvio de recursos através de tráfico de influência nas privatizações do governo FHC.

Da grande imprensa, apenas O Globo ainda não falou sobre o assunto - possivelmente porque essa seria a senha para o tema ser tratado no Jornal Nacional.

Singer saiu em defesa do jornal que analisa. "Folha fez bem em romper o silêncio a respeito da 'Privataria Tucana'", escreveu a jornalista, que também advertiu: "mas precisa investigar o que há de revelador no livro".

Na quinta-feira, Singer escreveu crítica à redação da Folha na qual destacava o viés dado à notícia.

Abaixo, o texto de hoje:

Lixo ou notícia


Um silêncio estrondoso, constrangedor, sepulcral, eloquente, criminoso... No total, foram nove adjetivos diferentes, compilados por leitores, para qualificar a mudez da Folha diante do lançamento do livro "A Privataria Tucana", do jornalista Amaury Ribeiro Jr. (Geração Editorial, 343 págs.).

Na quinta-feira, finalmente, o jornal publicou uma reportagem contando algumas das denúncias contidas na obra e apontando o que seriam falhas (folha.com/no1021526). Os que voltaram a se manifestar não estavam satisfeitos: acusavam a Folha de estar mais preocupada em defender José Serra, alvo principal do livro, do que em expor as denúncias do autor.

A tentativa central da "Privataria Tucana" é mostrar os supostos caminhos tortuosos de cifras milionárias movimentadas por pessoas próximas a Serra. Segundo o livro, seria um esquema para "lavar" propina recebida por conta das privatizações do governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002).

Ribeiro Jr. usou documentos da CPI do Banestado, que apurou, entre 2003 e 2004, crimes de evasão de divisas, mas que terminou em "pizza", sem um relatório final. As denúncias envolvem Ricardo Sérgio de Oliveira, ex-tesoureiro de campanhas tucanas, o empresário Gregório Marin Preciado, casado com uma prima de Serra, e Verônica Serra, filha do ex-governador.

Os capítulos finais do livro, porém, são um petardo contra o PT, retratado como um partido engalfinhado em disputas internas.

Para avaliar a qualidade do material publicado, são necessários tempo e um jornalista investigativo experiente. Primeiro, é preciso apontar o que há de novidade, quais são os documentos inéditos, já que muitas denúncias elencadas apareceram na grande mídia na época.

O leitor adepto da teoria do "PIG" ("partido da imprensa golpista") tomaria um susto no arquivo digital da Folha. A manchete de 25 de maio de 1999 era: "FHC tomou partido de um dos grupos no leilão da Telebrás". O presidente acusava o jornal de "sensacionalista". A notícia eram os grampos no BNDES, que revelavam empenho do governo federal em fortalecer um dos consórcios concorrentes. A reportagem ocupava incríveis 12 páginas.

O ex-diretor do Banco do Brasil Ricardo Sérgio, que mereceu um capítulo na "Privataria Tucana", foi capa da "Veja", de 8 de maio de 2002, sob o título "Quinze milhões na Vale". A reportagem denunciava um pedido de pagamento de "comissão", que teria sido feito por Ricardo Sérgio em nome dos tucanos, por ocasião da privatização da Companhia Vale do Rio Doce, em 1997.

Separado o que for revelador no livro -se houver algo-, cabe à reportagem aprofundar as investigações, mergulhando nos papéis que acabaram esquecidos depois que a CPI do Banestado foi arquivada.

Não dá para ignorar também o relato do que teria acontecido em um dos centros de imprensa da campanha presidencial de Dilma, definido pelos tucanos como "fábrica de dossiês". Ribeiro Jr. foi acusado de ter encomendado a quebra de sigilo fiscal da filha de Serra e acabou indiciado pela Polícia Federal. 

O assunto ocupou várias manchetes da Folha em 2010 e até hoje a história está mal contada.

O jornal fez bem em romper o silêncio em torno da "Privataria", que teve alegados 15 mil exemplares de sua primeira edição esgotados. Foi uma atitude correta, não só como resposta à blogosfera e à parte da mídia que faz publicidade da obra, mas porque é tradição do jornal publicar denúncias, não omiti-las. Foi assim nos governos FHC e Lula e tem sido a praxe com Dilma.

Só que o trabalho ainda não acabou. A Secretaria de Redação diz que o jornal está "em busca de fatos que mostrem aspectos relevantes e desconhecidos do processo de privatização". "Para isso, pode usar esses e outros documentos como ponto de partida de investigações mais profundas", afirma.

Ao leitor, resta esperar para saber o que é lixo, como definiu Serra, e o que é notícia ali.

Ombudsman da Folha admite autoria de crítica feita ao jornal

Ombudsman da Folha de São Paulo, a jornalista Suzana Singer postou em seu Twitter a confirmação da autoria de texto que vazou da redação para a internet.

No texto - que o leitor pode conferir abaixo -, Singer faz duras críticas à postura da Folha em relação ao livro "A Privataria Tucana".

A jornalista, que assina coluna dominical, deverá falar sobre o assunto amanhã, diante da repercussão que o assunto gerou.

Singer escreveu em seu Twitter: "A crítica interna, como o nome diz, é assunto da Redação".

O vazamento do texto não deverá ficar barato. A Folha é conhecida pela postura ortodoxa em relação ao cumprimento da política de funcionamento do jornal dos Frias. Demitiu dois dia desses por terem comentado no Twitter sobre o obituário de José Alencar estar pronto antes da morte do político.

Abaixo, a crítica de Suzana á redação da Folha de São Paulo:

ANTES TARDE DO QUE NUNCA

por Suzana Singer

Ainda bem que a Folha deu a notícia sobre o livro “A Privataria Tucana” (A11). A matéria está correta, com o destaque devido, mas o jornal deveria continuar no assunto, porque há mais pautas no livro.

Exemplo: por que Verônica Serra e o marido têm offshores? Não deveríamos investigar e questioná-los? É já publicamos que Alexandre Bourgeois, marido de Verônica, foi condenado por dever ao INSS? É verdade que as declarações que ela deu na época das eleições, sobre a sociedade com a irmã de Daniel Dantas, eram mentirosas? Fomos muito rigorosos com o caso Lulinha, por exemplo.

Outra frente é a o tal QG de dossiês anti-Serra na época da eleição presidencial, que a Folha deu com bastante destaque. O livro conta coisas de arrepiar a respeito de Rui Falcão. Ao mesmo tempo, sua versão de roubo dos seus arquivos parece inverossímel. Seria bom investigar, já que ele faz acusações graves contra a imprensa, especialmente “Veja” e “Folha”.

Teria sido bom editar um “acervo Folha conta a história da privatização” para lembrar ao leitor que o jornal foi muito duro com o governo FHC. É um erro subestimar a capacidade da internet -e da Record- de disseminar a tese do “PIG”. E também seria bom esclarecer, com mais detalhes, o que é novidade no livro sobre esse período.

O Painel do Leitor só deu hoje uma carta cobrando a cobertura do livro. Eu recebi 141 mensagens. Quem escreveu hoje criticou a matéria publicada por:

1) ter um viés de defesa dos tucanos;

2) não ter apresentado Amaury Ribeiro Jr. devidamente e não tê-lo ouvido;

3) exigir provas que são impossíveis (ligação das transações financeiras entre Dantas e Ricardo Sérgio e as privatizações);

4) não ter esse grau de exigência em outras denúncias, entre as mais recentes, as que derrubaram o ministro do Esporte (cadê o vídeo que mostra dinheiro sendo entregue na garagem?);

5) não ter citado que o livro está sendo bem vendido

#PrivatariaTucana: Um bom presente para um inimigo

No Diário do Centro do Mundo

O triunfo da confusão

Um dos mandamentos do bom jornalismo é transformar confusão em clareza. O jornalista Amaury Ribeiro Júnior não conseguiu fazer isso em “A Privataria Tucana”. A impressão que me deu, ao ler o livro, é que o autor estava, também ele, realmente confuso.
O livro tem outros problemas graves. Na base da gritaria, e de documentos tão numerosos quanto inexpressivos, Amaury quis provar que a privatização foi um mal para o Brasil. “Os pobres ficaram mais pobres e os ricos mais ricos”, afirma ele.
Não é verdade. Os pobres jamais se beneficiaram da ultraestatização da economia brasileira. Quem realmente desfrutou dela foi um pequeno grupo de funcionários públicos aos quais eram concedidas vantagens fechadas ao resto dos trabalhadores, aos “99%”, para usar a expressão dos nossos dias  – aposentadoria integral, 15, 16, 17 salários ao ano, estabilidade no emprego.  Os políticos também se deram bem: tinham muitas oportunidades de arrumar bons empregos para seus protegidos.
No governo FHC, o fim da inflação melhorou substancialmente a vida dos desfavorecidos. A elite se defendia da inflação com variados tipos de aplicações financeiras. Havia até contas correntes que corrigiam a inflação. O dinheiro dos pobres ia se desfazendo a cada dia. O Brasil começou a virar um país de classe média ali, naquele momento.
Lula, posteriormente, daria um empurrão vigoroso nesse processo com seus programas sociais, sobretudo o Bolsa Família.
Um livro tão precário só pode agradar quem detesta Serra, particularmente, e os tucanos, em geral. Não há dúvida de que é fácil não gostar de Serra. Daí, na minha opinião, o sucesso do livro – se é verdade a informação de que 15 000 exemplares foram vendidos num único dia.
Outra coisa que incomoda ao ler “A Privataria Tucana” é perceber o alto grau de fofocas e maledicências e trapaças que fazem parte não apenas da rotina da classe política brasileira – mas dos jornalistas que a cobrem, como o próprio autor. São dossiês, contra-dossiês em tal quantidade que você tem a sensação de que as pessoas não vivem e sim se arrastam em sombras pestilentas.
É tempo de previsões. Arrisco dizer que o livro vai dar em nada, não porque o Brasil seja o país da impunidade, mas porque há nele muito grito e escassa substância.
Se o amigo secreto que coube a você no sorteio da empresa for alguém insupoerável, eis um bom presente.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Pecado Capital: Justiça nega prisão domiciliar a Rychardson

O Juiz Federal Walter Nunes, titular da 2ª Vara Federal, negou o pedido para prisão domiciliar de Rychardson Macedo, acusado no processo da Operação Pecado Capital. 


O advogado de defesa argumentava, para o pedido de prisão domiciliar, que na estrutura carcerária do Estado do Rio Grande do Norte, não há sala de estado-maior ou congênere. 

Na decisão o magistrado observou que embora não exista na cidade, efetivamente, sala de Estado-Maior construída especificamente para recolher à prisão pessoas que desempenham atividade profissional na qualidade de advogadas, Rychardson Macedo está preso no Quartel do Comando Geral da Polícia Militar, no “... alojamento dos oficiais do Comando do Policiamento do Interior, local destinado ao descanso e estadia de oficiais que operam no interior do estado quando em trânsito na capital..”, conforme descrito nos autos.

O Juiz Federal Walter Nunes destacou ainda que a exigência feita na norma para permanência em sala de estado-maior é atendida quando o recolhimento de advogado se dá em qualquer unidade das Forças Armadas ou da Polícia Militar ou do Corpo de Bombeiros, ainda que o local seja guarnecido por grades.

Na decisão, o magistrado analisou: “as regras referentes às condições do local de recolhimento devem ser pautadas com a máxima garantia do tratamento de acordo com a essência humana/dignidade da pessoa humana, extensiva a todos, não apenas àqueles parecidos ou iguais a nós que elaboramos, julgamos ou executamos as leis, mas, sobremodo, aos que apresentam características diametralmente diferentes, especialmente em relação às questões de oportunidade quanto à estrutura familiar e à educação. Se assim não for, exatamente os que mais precisam serão os que menos receberão do Estado”.

Ao avaliar a situação da exigência da sala de estado-maior, o Juiz Federal escreveu: “a veiculação do direito ao recolhimento a sala de estado-maior, já caracteriza uma excepcionalidade à regra geral, que é o recolhimento da pessoa, em caso de medida cautelar detentiva, a estabelecimento prisional comum, o reconhecimento do direito de a pessoa, à falta da sala de estado-maior, ser recolhida ao próprio domicílio, corresponde à exceção da exceção”. O magistrado concluiu que para o caso específico em análise não pode ser aplicada a “exceção da exceção”. 

“Ele (Rychardson Macedo) está recolhido, em razão da prisão preventiva decretada, ao Quartel do Comando Geral da Polícia Militar, situado nesta Capital, mais precisamente ao alojamento dos oficiais do Comando do Policiamento do Interior, que é destinado ao descanso e estada de oficiais, o que é o bastante para atender a exigência preceituada na norma em destaque”, concluiu o Juiz na decisão.
Fonte: JFRN