sábado, 17 de dezembro de 2011

#PrivatariaTucana: Um bom presente para um inimigo

No Diário do Centro do Mundo

O triunfo da confusão

Um dos mandamentos do bom jornalismo é transformar confusão em clareza. O jornalista Amaury Ribeiro Júnior não conseguiu fazer isso em “A Privataria Tucana”. A impressão que me deu, ao ler o livro, é que o autor estava, também ele, realmente confuso.
O livro tem outros problemas graves. Na base da gritaria, e de documentos tão numerosos quanto inexpressivos, Amaury quis provar que a privatização foi um mal para o Brasil. “Os pobres ficaram mais pobres e os ricos mais ricos”, afirma ele.
Não é verdade. Os pobres jamais se beneficiaram da ultraestatização da economia brasileira. Quem realmente desfrutou dela foi um pequeno grupo de funcionários públicos aos quais eram concedidas vantagens fechadas ao resto dos trabalhadores, aos “99%”, para usar a expressão dos nossos dias  – aposentadoria integral, 15, 16, 17 salários ao ano, estabilidade no emprego.  Os políticos também se deram bem: tinham muitas oportunidades de arrumar bons empregos para seus protegidos.
No governo FHC, o fim da inflação melhorou substancialmente a vida dos desfavorecidos. A elite se defendia da inflação com variados tipos de aplicações financeiras. Havia até contas correntes que corrigiam a inflação. O dinheiro dos pobres ia se desfazendo a cada dia. O Brasil começou a virar um país de classe média ali, naquele momento.
Lula, posteriormente, daria um empurrão vigoroso nesse processo com seus programas sociais, sobretudo o Bolsa Família.
Um livro tão precário só pode agradar quem detesta Serra, particularmente, e os tucanos, em geral. Não há dúvida de que é fácil não gostar de Serra. Daí, na minha opinião, o sucesso do livro – se é verdade a informação de que 15 000 exemplares foram vendidos num único dia.
Outra coisa que incomoda ao ler “A Privataria Tucana” é perceber o alto grau de fofocas e maledicências e trapaças que fazem parte não apenas da rotina da classe política brasileira – mas dos jornalistas que a cobrem, como o próprio autor. São dossiês, contra-dossiês em tal quantidade que você tem a sensação de que as pessoas não vivem e sim se arrastam em sombras pestilentas.
É tempo de previsões. Arrisco dizer que o livro vai dar em nada, não porque o Brasil seja o país da impunidade, mas porque há nele muito grito e escassa substância.
Se o amigo secreto que coube a você no sorteio da empresa for alguém insupoerável, eis um bom presente.

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